O que escrever A Estrutura Invisível mudou em mim

Achei que escrever o livro me daria mais respostas. Aconteceu o contrário: aprendi a desconfiar das respostas rápidas e a fazer perguntas melhores.


Existe uma mudança que eu não esperava quando comecei a escrever A Estrutura Invisível.

E ela não aconteceu no livro.

Aconteceu em mim.

Achei que o processo me daria mais respostas.

Aconteceu exatamente o contrário.

Ele me deixou mais cuidadoso com respostas rápidas.

Durante muito tempo, eu acreditava que compreender um problema era encontrar uma boa explicação para ele.

Aos poucos, percebi que escrever não estava apenas organizando ideias.

Estava mudando a forma como eu observava organizações, decisões e comportamentos.

Hoje penso diferente.

Quanto mais observava, mais percebia que quase toda explicação simples escondia uma realidade muito mais complexa.

Um conflito raramente nasce na reunião em que aparece.

Uma decisão dificilmente produz consequências apenas no momento em que é tomada.

E aquilo que parece um problema isolado costuma fazer parte de um padrão muito maior.

Talvez o maior aprendizado desse processo tenha sido este:

Antes de procurar respostas melhores, aprendi a fazer perguntas melhores.

Perguntas que obrigam a olhar além do que está acontecendo.

Que desafiam a primeira interpretação.

Que resistem à tentação de explicar rapidamente aquilo que ainda precisa ser compreendido.

Curiosamente, essa mudança não ficou restrita ao livro.

Ela mudou a forma como participo de reuniões.

Como tomo decisões.

Como observo organizações.

E, principalmente, como escuto as pessoas.

Hoje continuo buscando respostas.

Mas aprendi que elas quase sempre melhoram quando somos capazes de permanecer um pouco mais tempo fazendo a pergunta certa.

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