O que realmente compramos quando contratamos tecnologia?

Uma contratação não termina quando a solução entra em produção. Suporte, documentação e responsabilidades definem o custo real de depender de um fornecedor.


Uma parte importante das discussões sobre contratação costuma se concentrar em três perguntas.

A solução atende aos requisitos?

O preço está dentro do orçamento?

O fornecedor consegue entregar?

São perguntas necessárias.

Mas, depois de participar de decisões envolvendo sistemas, infraestrutura e serviços, aprendi que uma contratação não termina quando a solução entra em produção.

É justamente ali que parte das responsabilidades começa.

Uma solução pode funcionar muito bem na demonstração.

Apresentar funcionalidades relevantes.

Ter um custo competitivo.

Cumprir todos os requisitos previstos.

Mas o que acontece quando surge um incidente crítico?

Quando precisamos integrar uma nova capacidade?

Ou quando o negócio passa a exigir algo que não estava previsto na contratação?

É nesses momentos que fatores menos evidentes durante a negociação ganham importância.

A qualidade do suporte.

A documentação.

O conhecimento que conseguimos manter internamente.

A capacidade de resposta do fornecedor.

E a clareza sobre quem assume cada responsabilidade quando algo não funciona como esperado.

Já participei de discussões em que dedicamos muito tempo à comparação de funcionalidades e pouco ao que aconteceria depois da implantação.

É compreensível.

Funcionalidades são demonstráveis.

Preços são comparáveis.

Prazos cabem em cronogramas.

Mas continuidade operacional não se avalia apenas em uma demonstração comercial.

Isso não significa que depender de fornecedores seja necessariamente ruim.

Nenhuma organização consegue, ou deveria, desenvolver internamente todas as capacidades de que precisa.

O desafio está em compreender quais responsabilidades continuaremos assumindo, independentemente de quem forneça a tecnologia.

Porque terceirizar uma solução não significa terceirizar suas consequências para o negócio.

E uma boa contratação precisa considerar não apenas a entrega, mas também o que será necessário para sustentar aquela capacidade ao longo do tempo.

O preço de uma tecnologia aparece na proposta.

O custo de depender dela aparece na operação.

Publicado originalmente no LinkedIn. Ler e comentar no LinkedIn ↗

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