Quando uma organização fala em desperdício, quase sempre pensamos primeiro em dinheiro.
Custos.
Orçamento.
Margens.
Naturalmente, esses são temas importantes.
Mas existe um recurso muito mais difícil de recuperar.
A energia das pessoas.
E, diferente do dinheiro, ela raramente volta na mesma intensidade.
Não falo apenas da disposição para trabalhar.
Falo da capacidade de concentrar talento, experiência e atenção naquilo que realmente faz diferença.
E essa energia costuma ser desperdiçada de maneiras muito discretas.
Em reuniões que terminam sem uma decisão.
Em prioridades que mudam antes de serem concluídas.
Em retrabalhos que poderiam ter sido evitados.
Na troca constante de contexto.
Em profissionais altamente qualificados resolvendo problemas que um sistema melhor estruturado nunca deveria gerar.
O curioso é que quase nada disso aparece como desperdício.
Pelo contrário.
A agenda continua cheia.
As entregas continuam acontecendo.
Os indicadores parecem saudáveis.
E a sensação é de que todos estão produzindo.
Mas existe uma diferença importante entre estar ocupado e preservar a capacidade de fazer um bom trabalho.
Quando uma organização consome a energia da equipe com problemas repetitivos, urgências permanentes e decisões mal estruturadas, ela reduz o espaço para aquilo que realmente exige inteligência, criatividade e colaboração.
Dinheiro pode ser recuperado.
Processos podem ser redesenhados.
Tecnologias podem ser substituídas.
Mas uma equipe que trabalha durante muito tempo sem conseguir transformar esforço em progresso dificilmente mantém o mesmo nível de envolvimento.
Talvez uma das responsabilidades mais importantes da liderança não seja apenas administrar recursos.
Seja proteger a energia da organização para que ela esteja disponível quando as decisões realmente importantes precisarem ser tomadas.
No fim, recursos sustentam uma organização.
Mas é a energia das pessoas que determina até onde ela consegue chegar.
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